Textos sobre Educação

Antenados no que falam sobre educação infantil.

Ensinar as crianças a comerem bem: Por que é tão difícil?

Quem convive com os pequenos tem percebido que é cada dia mais difícil fazer as crianças comerem bem, e manterem uma alimentação saudável.
Na seção de doces no supermercado fica difícil  controlar as “formiguinhas”. E o desafio de montar um carrinho com compras saudáveis fica maior ainda, quando escutamos o pequeno falar “MÃEEE, COMPRA A BOLACHA QUE EU VI NA TV?”




Para psicanalista francesa, sinceridade gera melhor relação com crianças

Françoise Dolto defendia a importância de falar com clareza desde cedo com os pequenos, o que os ajudaria a desenvolver sua confiança




A força e a importância do vínculo entre professor e criança

Quanto mais nova a criança, mais ela escolherá o professor como referência, antes mesmo dos colegas; nessa relação de cuidado afetivo, é importante estar atento para as demandas e respostas infantis




Brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento da criança.

Mais do que entreter a criançada, o brincar alicerça as aprendizagens dos elementos mais complexos de nossa psique.




O que as crianças podem aprender com a leitura de textos literários?

Nos últimos anos, têm sido frequente que pais e educadores venham às redes sociais expor sua visão sobre determinadas obras, chamando atenção para aspectos que – segundo a visão de alguns – causariam sérios danos à formação moral e emocional das crianças.




A importância da leitura na construção de vínculos entre mães e filhos

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Essa dupla transformação que acontece entre dois seres que durante alguns meses foram a mesma pessoa é sempre uma experiência de aprendizado intenso para ambos. Uma experiência que muda tudo..




Como criar crianças leitoras

Aqui vão algumas dicas preciosas para desde cedo desbravar o universo dos livros na companhia dos pequenos e de boas histórias!




Sobre a importância do erro

O que podemos aprender diante de situações em que nada parece dar certo?




Fala da criança: ‘as telas não trazem a riqueza da troca’

A fonoaudióloga do Departamento de Linguagem da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Ana Cristina Montenegro, tira dúvidas sobre a fala da criança




Livre para brincar

É na infância e no ato de brincar que nos preparamos para a vida adulta. O movimento, já no ventre materno, é uma das primeiras características que podemos observar nas crianças e são muito significativos: chutar, chupar o dedo, girar.
No início, os movimentos não são conscientes, são impulsivos e desordenados. Mas, com o tempo, ganham habilidade e destreza. A exploração é do seu próprio corpo e as mãos são descobertas, tornando-se seu primeiro brinquedo.




Como o gosto pela leitura pode ser estimulado na educação infantil

Em um contexto de pouca valorização da leitura, como a escola pode contribuir para a formação de leitores no Brasil? Como superar seus desafios e formar leitores autônomos que gostem de ler? Ensinar algo tão grandioso é uma tarefa desafiadora, mas, talvez por isso mesmo, uma das mais fantásticas que existem.
O estímulo à leitura pode começar desde cedo, ainda na educação infantil. Veja abaixo o cenário da formação de leitores na primeira infância, seus desafios e exemplos de práticas.
Cenário
A Academia Americana de Pediatria recomenda aos médicos que orientem os pais a lerem para os seus filhos. Desde o nascimento, a superestimulação tem se tornado uma constante em casa e invadido o espaço escolar. Livros no banho e e-books são elementos cuja proposta é desencadear o gosto pela leitura logo cedo. O equilíbrio entre inseri-los na cultura letrada e “forçar” funções para as quais ainda não estão preparados, defendem os especialistas, depende de bom senso.
Desafio
Como mediadores, pais e educadores têm a missão de apresentar os livros, as histórias e o mundo da imaginação a seus filhos e alunos. A falta de materiais de trabalho nas escolas é um problema a ser enfrentado. Pesquisa da pedagoga Cyntia Girotto revela que os livros do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) não contemplam crianças dos 0 até os 3 anos. O estudo “Literatura e Primeira Infância: dois municípios em cena e o PNBE na formação de crianças leitoras” foi realizado de 2011 a 2014 em Presidente Prudente e Marília, interior paulista. “Negar o acesso desse material aos pequenos é negar a eles a possibilidade de forjarem para si, desde a tenra infância, uma identidade leitora”, diz Cyntia, professora na Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp-Marília.
Exemplos de práticas
O primeiro passo é o professor ter um critério para a escolha dos títulos. Afinal, nessa fase pré-alfabetização eles têm especificidades e mudam conforme a idade. “O livro do bebê é especial: tem de ser cartonado, ou emborrachado, e o texto imagético deve se agregar ao texto escrito, o que aguça as percepções, atenção, linguagem oral e memória”, explica Cyntia Girotto. A partir dos 3 anos, obras que se utilizam do lúdico e da fantasia despertam a imaginação. A leitura em voz alta e a contação de histórias são práticas que devem estar presentes na escola. Para as crianças maiores, vale investir em rodas de leitura e na elaboração de ilustrações ou dramatizações a partir de um texto. “Quando partilhada, a leitura se torna saborosa, se transforma em uma experiência formadora”, defende Gilda Carvalho, mestre em Literatura Brasileira e uma das autoras do Manual de reflexões sobre boas práticas de leitura (Editora Unesp).

Fonte: Revista Educação 




O contato das crianças com o universo sonoro enriquece a percepção e estimula o cérebro

O neurologista e escritor britânico Oliver Sacks (1933-2015), autor de Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro (Companhia das Letras, 2007), dizia que a música é um elemento com tal potência que consegue moldar o cérebro. Partindo do pressuposto de que isso é verdade – em seu livro, Sacks descreve uma série de casos intrigantes a esse respeito envolvendo adultos – o tema dá mais relevância ao trabalho com música e sonoridades em geral na educação infantil, momento em que os estímulos têm efeitos poderosos no desenvolvimento cognitivo das crianças.
Como diz o psicólogo cognitivo norte-americano Howard Gardner, as “janelas” das habilidades estão mais abertas do que nunca nessa fase da vida. Cabe ao educador a importante tarefa de aguçar o aprendizado com atividades que envolvam os mais variados sons, melodias, canto e gestos. Trata-se do processo de musicalização infantil, responsável por desenvolver habilidades como criatividade, imaginação, atenção e autodisciplina, entre outras tantas.
Para realizar esse tipo de trabalho nas séries iniciais, o docente tem à sua disposição um leque variado de novas metodologias. Uma das primeiras fontes sonoras é o próprio corpo da criança e seus movimentos, como lembra Tizuko Kishimoto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp) e pesquisadora da área de educação infantil. “O brincar de fazer som inclui o movimento do corpo. Um papel amassado ou o bater palmas expressam a sonoridade que se cria com as mãos”, escreve a pesquisadora em Brinquedos e brincadeiras na educação infantil, texto para os Anais do I Seminário nacional: Currículo em movimento – Perspectivas atuais, lançado em 2010.
Pequenos autores
Já Teca Alencar de Brito, autora o livro Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança(Peiropolis, 2003), busca inspirar-se no trabalho do musicólogo alemão naturalizado brasileiro Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005), que, entre outras coisas, foi professor de harmonia de Tom Jobim. Em seu trabalho, ela busca entender e observar o comportamento de seus alunos. “Eles também devem ser autores desse processo. É fundamental analisar como reagem aos sons e manuseiam os instrumentos.” Sua atuação baseia-se nos três pilares de Koellreutter: aprender a apreender com alunos o que ensinar, ou seja, observá-los e conhecê-los para preparar as aulas; questionar tudo sempre e, por fim, não oferecer apenas aquilo que a criança pode encontrar nos livros.
A postura é compartilhada por Douglas Froemming, do Centro Recreativo Ilhas do Sul, em São Paulo (SP). Entender o universo da criança e estreitar relações antes de começar qualquer tipo de trabalho. “Começo a introduzir conceitos apenas quando percebo que consegui construir uma relação de confiança”, conta.
Outra possível linha de trabalho é aquela que busca aguçar a escuta das crianças. A ideia, segundo a professora Thamiris Corrêa, é fazer com que a criança desenvolva prazer pela música a partir dos sons à sua volta. Essa abordagem tem como fundamento a teoria do educador e compositor canadense Murray Schafer, que destaca a importância da audição e da percepção dos sons que nos rodeiam. Para isso, é importante que os alunos tenham contato com elementos como terra, grãos, sucata e papelão, por exemplo. O objetivo é envolver e despertar o interesse pelos sons – qualquer tipo deles – que podem ser produzidos de uma maneira simples e com materiais do dia a dia. Assim, as crianças podem perceber as particularidades de cada som.
Outra forma de expressão musical que vai além do cantar é o desenho, conceito trabalhado por Douglas Froemming a partir da abordagem criada por Pedro Paulo Salles, professor da USP. Segundo ele, é possível explorar essas duas práticas para que tenham relação bem mais integrada do que a que ocorre comumente. “As crianças se expressam bem por meio da arte e uma [prática] pode complementar a outra”, diz o educador.
É fundamental estabelecer laços mais profundos entre as artes visuais e a música para que haja interdisciplinaridade. “Os vínculos podem se dar nos níveis estrutural, descritivo, narrativo, cinético, gestual, plástico e representativo”, ressalta Salles.
A importância de escutar
Para a pianista e pedagoga argentina Violeta Hemsy de Gainza, a audição deve estar em primeiro lugar no trabalho do docente. Este, por sua vez, precisa escolher um repertório de qualidade técnica, para que possa estimular os sentidos e a intepretação. É imprescindível também que as melodias trabalhadas tenham um significado contextual para a criança – daí a importância de conhecê-la bem. O educador terá bons resultados ao conduzir atividades que incluem canções populares e folclóricas, além de melodias eruditas europeias (instrumentais
ou cantadas).
Para um primeiro momento de trabalho, Violeta sugere a realização de exercícios de audição. Em seguida, sugere que o aluno seja estimulado a fazer atividades de improviso, individualmente e em grupo. Isso incentiva o desenvolvimento cognitivo e a capacidade de socialização. “A música é inerente ao indivíduo. Nosso papel é apresentar elementos para que a criança possa se apoderar dessa linguagem e, então, desenvolver aspectos relacionados à comunicação”, diz Marieta Alberini Loureiro Campana, professora do curso de música da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo (SP).
O compositor e pesquisador francês François Delalande segue a mesma linha de pensamento. A partir de sua pesquisa sobre a pedagogia das condutas musicais, ele diz que o papel atribuído ao educador é aguçar a imaginação do aluno, conduzi-lo em sua elaboração e valorizar as descobertas, reforçando, assim, uma conduta natural. “É fundamental estimular o protagonismo dos pequenos. Aulas interativas enriquecem o grupo, permitem que o aluno traga as suas vivências e crie ambientes sonoros”, afirma Heloísa Lobo, professora de educação musical e regente do Colégio Rio Branco, em São Paulo (SP).
Músicas para a vida
O contato da criança com a música acontece desde cedo. A partir do quinto mês de gestação, o bebê passa a ouvir e a reagir aos sons emitidos perto do útero da mãe. Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, reforçou a importância dessa proximidade. Segundo o estudo, o cérebro dos pequenos é capaz de armazenar informações antes do nascimento, o que contribui para o aprendizado da linguagem posteriormente.
Outra análise feita recentemente pelo Laboratório de Neurociência Cognitiva do Hospital Infantil de Boston, nos EUA, comprovou que o contato mais intenso com sons e movimentos influencia diretamente a capacidade cognitiva. Daí a importância de proporcionar uma vivência musical à criança, principalmente no período entre os três e os seis anos de idade.
Para Elvira Souza Lima, pesquisadora e educadora em neurociênciase educação, é importante que essa experiência não se limite a aulas conduzidas apenas por profissionais da área. “A escola inteira deve garantir esse contato, colocando canções durante os horários de lanche, na entrada e até mesmo na sala dos professores”, indica. Recentemente, ela lançou a coleção Eu canto, eu me encanto, série de canções destinadas a formar e a desenvolver estruturas musicais tanto no cérebro dos alunos quanto dos docentes. Por meio de cantigas brasileiras executadas de três modos diferentes – canto acompanhado de instrumentos, apenas voz e instrumental – a profissional busca criar memórias musicais entre
as crianças.
Como relata Elvira, a neurociência constatou que as canções têm o poder de modificar o espessamento do corpo caloso do cérebro, um fecho de fibras que une o hemisfério direito ao esquerdo. “Essa estrutura é responsável pelas conversas entre as duas partes do órgão. Quando se estuda música, por exemplo, a área se expande e proporciona ganhos que permanecem para a vida inteira”, diz. Entre as habilidades trabalhadas estão: percepção do espaço, atenção, imaginação, criatividade e até o respeito ao tempo. “O aprendizado é muito grande. Os benefícios para o comportamento e para o desenvolvimento emocional são imensuráveis”, finaliza.

Fonte: Revista Educação 




A força e a importância do vínculo entre professor e criança


 Quanto mais nova a criança, mais ela escolherá o professor como referência, antes mesmo dos colegas; nessa relação de cuidado afetivo, é importante estar atento para as demandas e respostas infantis




A importância da brincadeira na infância

É necessário permitir que a criança tenha tempo e espaço para brincar livremente
Os humanos brincam desde os primórdios. Por meio dos jogos e brincadeiras simulamos e exercitamos situações do dia a dia, aprendemos a enfrentar medos, desafios e a lidar com conquistas, derrotas, fracassos e sucessos.
O jogo simbólico, ou o faz de conta, permite à criança recriar sua realidade repensando e ressignificando o mundo real. Dessa maneira ela se desenvolve cognitiva e emocionalmente de uma maneira saudável favorecendo a socialização, a interação com o outro, aumentando seu repertório verbal e afetivo, além de fomentar a criatividade e a imaginação. Uau, a brincadeira faz tudo isso? Sim, faz!
É importante permitir que a criança tenha tempo e espaço para brincar livremente. Montar, desmontar, multiplicar seus brinquedos sejam eles comercializados ou aqueles que só elas sabem criar com tampas, caixas, peneiras e outros objetos incríveis que estão ali ao seu alcance. Quem já não viu uma criança se divertir com a embalagem deixando o “brinquedo” de lado?
Então, é só deixar a criança ali, brincando sozinha livremente? Sim e não. A criança precisa desses momentos para fazer suas relações e próprias interpretações do mundo, levantar suas hipóteses e se desenvolver. Mas, as brincadeiras dirigidas também são extremamente importantes. Quando se tem um foco ou objetivo de desenvolvimento como coordenação grossa, fina, vocabulário, percepção visual auditiva, dentre tantos outros podemos e devemos jogar e interagir com elas. O segredo sempre é saber a medida, nada em excesso é bom. A criança precisa do ócio. É essencial deixarmos momentos do dia para que ela possa fazer essa exploração e pesquisa e não ocuparmos a agenda dela de maneira que não tenha tempo para nada. Mas, também não nos esqueçamos da interação, de compartilhar novidades, saber como foi seu dia, brincar junto, afinal, somos seres sociais, não é verdade?
Uma infância estimulante, com brincadeiras apropriadas a cada etapa de desenvolvimento, contribui para a formação de uma personalidade íntegra e completa, que apesar de se formar até os dezoito anos ou um pouco mais, as experiências vividas nos anos iniciais, até os seis anos de idade são fundamentais para a construção afetiva e cognitiva saudável da criança. Isso feito, em um ambiente adequado e motivador, estabelecerá a qualidade de experiências que serão vividas pela criança. As situações lúdicas (do latim Ludus = brincadeira, diversão, jogo) auxiliam a criança a lidar com sentimentos, contribuindo com o amadurecimento e colaborando para as decisões que tomará posteriormente na vida adulta.
Por meio dos jogos e brincadeiras desenvolvemos e potencializamos várias habilidades e também, como descreveu Howard Gardner, as mais diversas inteligências. Bem planejadas e aplicadas respeitando a etapa de desenvolvimento em que a criança se encontra, auxiliam a criança a despertar seus talentos.
Brincar não é brincadeira, é coisa séria!

Fonte: Guia do Bebê




Educação Infantil: Uma fase importante na aprendizagem

Um dos principais papéis reservados à Educação é o de capacitar o indivíduo a dominar o próprio desenvolvimento, fornecendo-lhe, o mais cedo possível, o “passaporte para a vida”, levando-o a compreender melhor a si mesmo e aos outros, de forma a poder participar da vida em sociedade.
O atual contexto social possui prioridades e exigências diferentes de épocas passadas, e a escola passa a ser o espaço em que as relações humanas são moldadas, deixando de ser o lugar no qual professores apenas transmitem um acervo de conhecimentos para gerações mais novas.
Hoje, a escola possui um caráter formador, aprimorando valores e atitudes, desenvolvendo, desde a mais tenra idade, o sentido da observação, despertando a curiosidade intelectual nas crianças, capacitando-as a buscar informações, onde quer que elas estejam, para usá-las no seu cotidiano.
Segundo Piaget, a etapa dos dois aos seis anos é uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano, pois nela ocorrem inovações radicais na inteligência. É também nessa etapa que as crianças constroem os padrões de aprendizagem formais que utilizarão durante toda a sua vida acadêmica. Aprender, portanto, passa a ser o ponto crucial do processo. A partir dos três ou quatro anos, de uma maneira geral, as crianças podem se beneficiar mais com as experiências enriquecedoras oferecidas na escola do que exclusivamente as oferecidas em casa. Sobretudo, a interação com outras crianças e adultos que lhes propõem atividades apropriadas ao seu nível pode significar uma ajuda extraordinária no desenvolvimento de suas capacidades. Trazer o mundo para dentro da escola e fazer a criança se “apaixonar” pelo conhecimento é a principal meta da Educação Infantil.
Por outro lado, pesquisas neurológicas recentes reforçam a importância da aprendizagem nos anos iniciais, ao demonstrarem que aos três anos o cérebro humano tem estrutura pronta para aprender e nele ocorrem cerca de um trilhão de movimentos sinápticos, número que representa o auge das conexões sinápticas do cérebro humano, sendo importante aproveitar as “janelas de oportunidades”, oferecendo estímulos para as crianças desenvolverem o maior número possível de habilidades.
Durante os cinco primeiros anos de vida, as crianças aprendem o padrão básico do discurso que usarão no decorrer de suas vidas; absorvem naturalmente a linguagem, ouvindo e utilizando a do adulto como referência. Porém, não é só ouvindo e repetindo palavras que serão capazes de construir a linguagem. É principalmente pelo significado, pelas aproximações com a realidade e pela disposição para procurar evidências que as levem a mudanças de hipóteses que são capazes de compreender o mundo e agir sobre ele.
Ouvir, falar, ler e escrever são habilidades que se desenvolvem em total interligação. A linguagem não é aprendida isoladamente, mas integrada a todas as atividades e vivida a cada dia. Ela é a chave do desenvolvimento intelectual e possibilita ao indivíduo expressar seus sentimentos e seus pensamentos.
Desta forma, à medida que as crianças começam a adquirir as habilidades de raciocínio verbal, elas necessitam de uma instrução reflexiva, ou seja, uma aprendizagem mediada por um adulto, que faz com que elas reflitam sobre o próprio pensamento. Dentro dessas perspectivas, a Educação Infantil permite que as crianças sejam pensadores sistêmicos, aprendam a refletir sobre seus modelos mentais, a trabalhar em equipe e a construir visões compartilhadas com outros, e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor é para o desenvolvimento da criança.
O maior desafio, porém, é fazer justiça ao potencial de desenvolvimento da criança, buscando recursos para enriquecê-lo, saindo do conceito singular de alfabetização para compreendê-lo como uma alfabetização para o mundo, dando possibilidades às meninas e aos meninos de se apropriarem de ferramentas básicas que lhes permitam se comunicar e seguir aprendendo.
Segundo James Heckeman, prêmio Nobel de Economia, “deixar de fornecer estímulos às crianças nos primeiros anos de vida custa caro para elas e para um país”.

Escrito por:  Maria Celia Montagna de Assumpção, psicopedagoga e autora do material de Educação Infantil do Sistema Anglo de Ensino.




O papel da escola no desenvolvimento da criança

É na primeira infância que se formam as bases de aprendizado que serão utilizadas ao longo de toda a vida




Brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento da criança

Mais do que entreter a criançada, o brincar alicerça as aprendizagens dos elementos mais complexos de nossa psique




Como desarmar o chilique de um filho com uma pergunta.

"Eu quero muito dividir com vocês uma “fórmula” que aprendi recentemente para a gente conseguir mudar o rumo das coisas com os filhos que insistem em fazer drama por qualquer coisa."
Eu não li todos os livros de psicologia infantil, nem fiz nenhum curso de como evitar/interromper/acabar com o chilique de um filho. Mas por conta de uma experiência pessoal relacionada à minha filha de 5 anos, eu quero muito dividir com vocês uma “fórmula” que aprendi recentemente para a gente conseguir mudar o rumo das coisas com os filhos que insistem em fazer drama por qualquer coisa.
Antes preciso contar uma história. Minha filha entrou na alfabetização por aqui, chamada de Kindergarten, e estava um pouco ansiosa, sempre repetia que não ia dar conta nas primeiras semanas de escola, ficando um pouco nervosa. E esse comportamento acabou se desdobrando em casa: ela aumentou as situações de fazer drama para qualquer coisa, mesmo as mais simples. Por indicação da escola, procuramos uma psicóloga infantil para algumas sessões, para que a Alice pudesse falar sobre o que estava sentindo e assim as coisas poderiam se acalmar.
Dentre as várias dicas que a psicóloga Sally Neuberger deu, uma eu achei fantástica, apesar de bem simples, e é exatamente por isto que eu quero contá-la aqui.
A psicóloga me explicou que precisamos fazer a criança se sentir respeitada, no sentido de darmos valor ao que elas estão sentindo. E assim, na hora de uma crise, seja porque motivo for, uma criança a partir dos 5 anos de idade precisa ser atendida no sentido de pensar e achar a resposta sobre o que está acontecendo com ela. Esta nossa valorização sobre o que ela está passando e ao mesmo tempo o fato de incluí-la na solução da questão desmonta a criação de caso.
De forma mais objetiva: quando um chilique começar – seja porque o braço da boneca saiu do lugar, seja porque está na hora de dormir, seja porque o dever de casa não saiu do jeito que ela queria, seja porque ela não quer fazer uma tarefa – seja o motivo que for, podemos fazer a seguinte pergunta para a criança, olhando nos olhos dela e com bastante calma: “Isto é um problema grande, um problema médio ou um problema pequeno?”
Aqueles momentos pensando a respeito do que está acontecendo à sua volta, sinceramente, pelo menos aqui em casa, se tornaram mágicos. E todas as vezes que faço a pergunta e ela responde, a gente dá um jeito de resolver o problema a partir da percepção dela de onde buscar a solução. Um pequeno, sempre é rápido e tranquilo de resolver. Algum que ela considera médio, muito provavelmente será resolvido mas não na mesma hora e ela vai entender que há coisas que precisam de algum desdobramento para acontecer. Se um problema for grave – e obviamente que grave na cabeça de uma criança não pode ser algo a ser desprezado mesmo que para a gente pareça bobo – talvez seja preciso mais conversa e atenção para ela entender que há coisas que não saem exatamente como a gente quer.
Eu poderia dar vários exemplos onde tenho usado esta perguntinha nos últimos tempos. Um deles foi na hora de escolher a roupa para ir a escola (aqui não tem uniforme) e muitas vezes minha filha faz aquela cena para escolher a roupa, especialmente agora em que é preciso usar roupa de frio. Pra resumir: ela queria uma calça, a preferida dela estava lavando, começou o chororô e eu firme: Alice, isso é um problema grande, médio ou pequeno? Ela, sem graça, olhando para mim, falou baixinho: “Pequeno”.
E eu mais uma vez expliquei que já sabíamos que problemas pequenos são fáceis de resolver. Pedi sugestão de como resolveríamos aquele problema pequeno (aprendi que é importante dar tempo para ela pensar e responder) e ela: “Escolhendo outra calça”. E eu acrescentei: “E você tem mais de uma calça para escolher”. Ela sorriu e foi buscar outra calça. Dei meus parabéns por ela ter resolvido o próprio problema porque, claro, valorizar a solução é uma parte imprescindível para fechar a história.
Eu não acho que existe milagre na criação dos filhos. Outro dia estava pensando o quanto é uma verdadeira saga essa missão de colocar gente no mundo: atravessar todas as fases, trilhar caminhos que às vezes nos fazem cair em emboscadas, ter a humildade de voltar atrás para resgatar outra trilha. Este texto é sinceramente uma vontade grande de compartilhar uma luz que apareceu na minha estrada de mãe e eu espero de coração que sirva pra você também.
Por: Fabiana Santos
Fonte: Conti Outra




Ter aulas de música desde criança traz impactos positivos no futuro

A infância é, de fato, a fase do aprendizado, e é também o período da vida em que as coisas plantadas geram frutos no futuro. Exemplo disso são as habilidades musicais: de acordo com estudo realizado na Universidade de Amsterdam (Holanda), crianças que estudam música tendem a desenvolver habilidades cognitivas importantes para a vida acadêmica.
A pesquisa, publicada no periódico científico Frontiers in Neuroscience, averiguou que aulas  de música aumentam significantemente as habilidades cognitivas em crianças, incluindo raciocínio linguístico, memória de longo prazo, planejamento e inibição – características que levam a um melhor desempenho acadêmico. Aulas visuais de arte também apareceram como um conteúdo capaz de aperfeiçoar a memória visual e espacial infantil.




Entrevista - Aprender a ensinar

A boa convivência na era digital.




O Primeiro Empurrão

O americano James Heckman, 73 anos, é reverenciado tanto em sua área de origem, a economia — que lhe rendeu o Prêmio Nobel em 2000 —, como na educação, que ele investiga com a curiosidade de quem ama calcular. Heckman criou métodos científicos para avaliar a eficácia de programas sociais e vem se dedicando aos estudos sobre a primeira infância — para ele, um divisor de águas. É sobre esse assunto que falará, na segunda-feira 25, no encontro Os desafios da primeira infância — Por que investir em crianças de zero a 6 anos vai mudar o Brasil, organizado pelas revistas Exame e VEJA e apoiado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, pela Fundación Femsa e pela United Way Brasil. Professor na Universidade de Chicago, Heckman veio uma dezena de vezes ao Brasil. Estava no Rio quando recebeu o telefonema de sua vida. “Disseram-me que seria premiado com o Nobel, e eu achei que era trote”, revela ele, que fala com rara propriedade sobre o país.




Desfralde: 5 dicas para tirar a fralda do seu filho

Antes de tudo
Os especialistas recomendam que a fralda não seja tirada muito antes dos 2 anos, pois a criança ainda não está preparada – você vai se frustrar à toa e pode criar traumas em seu filho. Não adianta forçar a natureza.
Quando tirar
Só a partir do segundo ano de vida o bebê sai da fase oral e entra na anal, em que se dá conta de que produz xixi e cocô. No geral, por volta dos 2 anos e meio, ele emite sinais  claros disso.
O que observar
Observe a capacidade de controle dos esfíncteres da criança. Em outras palavras: repare se ela se queixa quando está com a fralda suja e se avisa que vai fazer necessidades. Algumas se escondem em um canto da casa e se abaixam quando querem fazer cocô, mostrando que têm consciência de suas eliminações e estão prontas para começar o desfralde.
Como tirar
Primeiro, deve acontecer o desfralde diurno, em um período tranquilo da vida da criança – evite épocas de grandes mudanças. Escolha uma estação quente para iniciar o processo, pois os escapes de xixi deixam a criança molhada e desconfortável. Deixe seu filho de cueca ou de calcinha e com roupas leves, para facilitar. Explique que ele deve avisar quando quiser usar o banheiro e esteja presente. Use um penico ou redutor de assento com apoio para os pés (isso favorece a prensa abdominal, posição que estimula a evacuação). Comemore quando a criança avisar a tempo de usar o banheiro, mas, se escapar, não brigue. Apenas diga que acontece e que, da próxima vez, ela deve avisar um pouco antes.
Fique de olho para entender a rotina de seu filho. Muitas vezes, ver irmãos e primos mais velhos usando o banheiro é um estímulo para a criança, que deseja copiar os maiores e entende o processo como natural. A escola, com o exemplo dos outros alunos, também ajuda nessa questão.
O tempo de desfralde varia: leva poucos dias para uma criança ou mais de um mês para outra. Quando perceber que o processo está estabilizado e seu filho já controla bem o xixi e o cocô durante o dia, parta para o desfralde noturno. Mas não se assuste se demorar mais – os médicos dizem que é normal e a fralda da noite pode ser necessária para algumas crianças até os 4 ou 5 anos. Comece diminuindo a ingestão de líquido do seu filho durante a noite.  E importante: diariamente, antes de colocá-lo na cama, diga para fazer xixi. Nas primeiras madrugadas, o ideal é levá-lo a cada duas horas ao banheiro e tente descobrir em que horário, aproximadamente, ele costuma urinar. Então, procure acordar toda noite nesse horário para colocá-lo no vaso e, mais para frente, ensiná-lo a ir sozinho quando precisar.  
Quando pedir ajuda
A fralda diurna não costuma representar problemas para os pais, mas a noturna é mais desafiadora: pode levar de seis meses a dois anos para que seu filho adquira o controle. O caso só preocupa os médicos quando a criança tem mais de 5 anos e ainda faz xixi na cama diariamente ou mais de uma vez por noite, o que pode ser caracterizado como enurese noturna, que requer avaliação médica para ser diagnosticada e tratada.
Fonte: Revista Crescer




Brinque com seus filhos enquanto eles querem brincar com você.

Quando minha filha fez cinco anos, no meio de uma brincadeira inocente, ela disse que gostava mais do papai do que de mim. Perguntei:
– “Porquê? Eu sou tão legal e sempre cuido bem de você”.
Ela respondeu:
– Porque você trabalha muito e tem pouco tempo para brincar comigo.
Foi como se tivesse recebido um soco no estômago. Quase não dormi aquela noite. Fiquei horas rolando na cama, pensando que ela tinha razão. Nos últimos meses tive muito trabalho extra a fazer. Foram muitos os dias que tive que ficar até mais tarde na empresa. E quase incontáveis dias que levei trabalho para casa.
Sabe quando você está em casa, mas fica o tempo todo com o celular na mão? Então, era eu.
O celular é um vício incrível. Acho que ainda não aprendemos a lidar com ele. Tipo criança quando ganha um brinquedo novo e por um tempo só quer saber dele.
A humanidade como um todo não sabe lidar com o celular.




"A importância da educação infantil para o desenvolvimento global da criança"

Ao discutir sobre a importância da Educação Infantil, abre-se um leque de indagações e questionamentos, tentando entender se realmente há necessidade da criança com idade inferior a seis anos frequentar a escola.




Crianças que não convivem com a natureza não sentem a necessidade de protegê-la, diz ambientalista.

Se as crianças e adolescentes perdem o contato com a natureza, quando adultos eles não se interessam em proteger o meio ambiente. Para explicar, vamos recorrer a uma frase que é velha conhecida quando o assunto são os relacionamentos amorosos: “O que os olhos não veem, o coração não sente”.




Brincar de faz de conta é essencial para o desenvolvimento saudável.

O texto de hoje é, novamente, das queridas Ale Palazzin e Graziela Faelli, fisioterapeutas e autoras do blog Tempo Mágico, que compartilha informações úteis e relevantes sobre desenvolvimento infantil.
E nesse post, inclusive, elas citam o nosso exemplo (meu e dos meninos) ao abordar o tema “brincar de faz de conta”. Venha ver o que elas tem a dizer sobre isso e o quão rico e interessante pode ser brincar de faz de conta.
PS: e não deixem de ver esse post aqui – Brincar com os filhos: como eu faço se eu não gosto de brincar – 5 dicas que vão ajudar, no qual eu me inspirei para desenvolver essas brincadeiras com os meninos. Esse texto também é da Ale Palazzin e da Graziela Faelli.




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