Quem
tem um bebê em casa sabe o quanto é desafiador acompanhar cada
nova etapa de desenvolvimento. A fase de retirada das fraldas é uma das
que geram mais dúvidas e ansiedade na vida de papais e mamães,
sempre preocupados em garantir o bem-estar de seus pequenos.
A chegada do verão é uma boa oportunidade para começar
o "treinamento". Com o clima quente, o volume urinário diminui
naturalmente. Além disso, há outras facilidades, como a roupa
que seca mais rápido e o desconforto menor do bebê ao se molhar.
Porém,
o mais importante é ter muita paciência e dar prioridade às
características individuais de seu filho. Não se preocupe em seguir
rigidamente um conjunto de instruções, pois as orientações
podem ser muito divergentes, dependendo do especialista consultado. Um dos únicos
pontos em que há consenso é que cada criança vai reagir
de uma maneira, o que é bastante saudável.
Segundo
o pediatra Ruy do Amaral Pupo Filho, autor do livro "Manual do Bebê"
(Editora Alegro/Campus) e consultor científico do site Guia do Bebê,
cada criança atinge a maturidade para sair das fraldas em seu próprio
ritmo e tempo.
Geralmente,
a capacidade fisiológica de controle dos esfíncteres acontece
por volta dos 18 meses, mas também pode demorar um pouco mais, sem qualquer
problema. "Para saber a hora certa, a dica é esperar a criança
emitir sinais de que evacuou. Não é preciso ter pressa",
aconselha o médico. Além disso, o aprendizado é mais tranqüilo
se a criança já anda e fala, pois ela tem condições
de pedir para ir ao banheiro.
Por
outro lado, acelerar o processo pode ser muito negativo para o desenvolvimento
do bebê. "Já vi casos de crianças de meses sendo treinadas
no peniquinho, o que traz graves problemas posteriormente." Portanto, evitar
comparações com outras crianças, que abandonaram as fraldas
antes ou depois, é um cuidado essencial.
Do ponto de vista psicológico, o momento de tirar as fraldas significa
um avanço rumo à autonomia da criança e, em contrapartida,
mais uma ruptura com a mãe. Por isso, fique atenta aos próprios
sentimentos e, uma vez iniciado o processo, evite voltar atrás. Os pais
são o ponto de referência do bebê e se você demonstrar
indecisão, certamente vai deixá-lo confuso.
O
caminho
O Dr. Ruy Pupo sugere que os pais comecem o treinamento com o controle da evacuação
e só depois de completada essa fase passem para o controle urinário
diurno e, como última etapa, o noturno. O ideal é usar o peniquinho
ou o vaso sanitário com adaptador para crianças.
No
controle da evacuação, a criança adquire primeiro a capacidade
de segurar as fezes por algum tempo e só depois consegue controlar o
relaxamento que promoverá sua saída.
Por
isso, no princípio, ela poderá evacuar logo após ser retirada
do banheiro, ao relaxar. "Nessa hora, a criança pensa que será
elogiada por ter controlado o esfíncter fechado por alguns minutos, mas
acaba levando uma bronca e fica sem entender nada. O melhor, portanto, é
limpá-la sem comentar", diz o pediatra.
Para
começar, ele recomenda colocar a criança no peniquinho em torno
de três vezes por dia, cerca de vinte minutos após as principais
refeições. Se já houver um horário em que ela evacue
com mais freqüência, aproveite essa rotina.
Deixe-a
no peniquinho no máximo durante 10 ou 15 minutos, sempre com a atenção
de um adulto. Você pode conversar, contar historinhas, fazer massagem
no abdômen. Os primeiros sinais de controle levam algum tempo, por isso
não desanime, elogie sempre os esforços da criança e ignore,
sem comentar, as dificuldades.
O
xixi nosso de cada dia
O
controle da urina durante o dia fica mais simples quando o bebê já
aprendeu a evacuar. Pode-se incentivar a criança a tentar urinar a cada
três horas, mais ou menos, levando-a até o peniquinho ou ao banheiro
e explicando o que se deseja. Vale até imitar o barulhinho do xixi. Geralmente,
o controle é obtido por volta dos 2 anos e meio ou 3 anos, sempre aproximadamente.
Para
retirar a fralda noturna, os pais devem observar se a criança amanhece
seca durante alguns dias consecutivos. Evitar oferecer grandes volumes de líqüido
após o jantar e colocar a criança para urinar antes de ir para
a cama são medidas úteis. A etapa de controle da urina noturna
é mais longa e pode ir até os 5 ou 6 anos de idade.
Quando
a criança ultrapassa muito esses prazos, que são sempre aproximados,
deverá passar por algumas avaliações indicadas pelo seu
pediatra. Problemas urinários ou psicológicos, como o nascimento
de um irmão, por exemplo, podem interferir. Voltar atrás no aprendizado
também pode acontecer e geralmente indica que a criança foi submetida
a algum estresse psicológico.
Por fim, lembre-se que, embora seja importante, essa é só mais
uma etapa na vida da criança. Nem ela e nem você estão à
prova. Aproveite para acompanhar o seu desenvolvimento e curtir momentos que
certamente serão inesquecíveis para toda a família.