Ele
ainda não tem rosto, nome, sequer nasceu, mas já é o centro
das atenções da casa. Impossível não sentir ciúmes
desse ilustre desconhecido que logo, logo, vai chegar para dividir o quarto,
os brinquedos e pior...o coração dos pais. Cheio de expectativas
e muito inseguro, o filho mais velho precisa, mais do que nunca, ter a certeza
de que continua tão amado e querido, como sempre.
Assim,
deve ser informado, o quanto antes, sobre a nova gravidez da mamãe. Sem
rodeios, de uma forma franca e carinhosa. É importante mostrar a barriga,
dizer que dali há algum tempo seu irmão vai nascer, mas que ainda
demora um pouco até que eles sejam companheiros de brincadeiras. Isto
pode evitar uma decepção ao ver que o parceiro tão esperado
nem olha para ele, e passa o dia inteiro dormindo, chorando e mamando.
Ciúme
e regressão
As
reações variam de criança para criança e, muitas
vezes, acontecem antes mesmo do nascimento do bebê. A rotina da casa mudou
e não é difícil perceber. O berço que apareceu no
meio do quarto, as roupinhas no armário, os bichinhos e chocalhos, enfeitando
a estante, e a euforia geral da família indicam claramente que vem por
aí alguém muito especial.
Diante
de tanta ameaça, parecem restar poucas saídas para o filho mais
velho. A não ser tornar-se bebê novamente e ter, desta forma, direito
a todas as atenções que os pais lhe davam antes. Nesse processo
de regressão, pede a antiga chupeta de volta, sua mamadeira, quer dormir
de novo no berço e não controla mais o xixi.
Com
toda a calma possível, vocês podem ajudar. E muito. Para começar,
deixando que ele fale livremente sobre seus sentimentos em relação
ao irmão, que expresse sua raiva, seu ciúme. Quem sabe, não
está mesmo sendo um pouco excluído dos preparativos? Convidá-lo
para comprarem juntos o enxoval e deixar que escolha um presente também,
pedir sua opinião sobre a arrumação do quarto e sobre o
nome do bebê são alguns meios de integrá-lo à nova
situação.
Agora,
ainda melhor
Quando
o neném nascer, o mais velho deve continuar sendo solicitado. Se ele
quiser, pode colaborar no banho, na troca de fraldas, segurar o irmão
no colo, e não precisa ser afastado durante a amamentação.
Mas nada de obrigá-lo, caso não tenha vontade e prefira ficar
brincando longe de vocês.
É
bom manter certos hábitos, como o de acompanhá-lo nos aniversários,
no parque, nos passeios de que tanto gosta. E também mostrar interesse
nas histórias que ele conta, na vida dos amiguinhos, em tudo o que se
refira ao seu universo particular.
Esses
momentos, muito exclusivos, certamente vão ajudá-lo a entender
que tudo não apenas continua como antes; mas ainda melhor.
Por
Regina Protasio
Consultora:
Márcia Modesto, psicanalista. Terapeuta familiar sistêmica.