NÃO MANDAR O FILHO PARA A ESCOLA QUANDO ELE ESTÁ DOENTE FAZ BEM A ELE E A TODOS OS COLEGAS.
Criança fica doente com a maior facilidade. A gente acha que já se recuperou de mais uma temporada de noites em claro e...pronto: lá estão eles caidinhos de novo. Isso acontece porque o sistema imunológico não nasce pronto. É no convívio que a criança entra em contato com os vírus e as bactérias e, assim, cria defesas. Então, não adianta: para ficar forte, seu filho precisa, antes, ficar doente. E a escola é o lugar onde isso mais acontece. Crianças juntas + mão na boca + brincadeiras = contágio.
Volta e meia, a criança fica ruim no fim-de-semana, bem naquele dia em que o celular do pediatra não atende. Aí a gente acha que o filho já está melhor, põe no carro eleva para escola, afinal, é complicado arrumar alguém pra ficar com ele em casa. E, não querendo complicar a nossa vida, complicamos a dos outros. Uma criança doente pode contaminar várias outras. Essas, por sua vez, contaminam os pais. Pesquisa encomendada pela Roche ao Ibope, com 500 mães de crianças de 1 a 12 anos, mostrou que 74% delas sofrem algum tipo de mudança no dia-a-dia quando os filhos estão gripados, sendo que 27% das mães faltam no emprego. A maioria falta até 2 dias. Por isso, o projeto de lei 6.243/05, da deputada Sandra Rosado (PSB-RN), quer permitir que os pais contratados pela CLT faltem até 30 dias no trabalho se o filho de até 12 anos ficar doente.
Na Escola Recanto Infantil, em Curitiba, a boa ação de deixar o filho doente em casa acontece meio na marra. Cada sala tem duas professoras treinadas em técnicas de pronto-socorro. Elas montam um arquivo com as doenças que cada aluno já teve, e muitas vezes, são elas que percebem quando os alunos não estão bem. Sabe como é: de manhã é aquela correria e tem pai que nem repara que o filho está meio molinho...
Regiane Feitosa, mãe de Natália, uma das alunas do Recanto, reconhece: “às vezes, minha filha está chorosa, mas não tem nenhum sintoma. Então, levo pra escola.” É, a gente quer dar conta da rotina e não pensa nas conseqüências... Só que a pressa dá em trabalho dobrado. Quem chega doente tem de voltar. Ao menor sinal de tosse e febre, as “tias” ligam para os pais. A própria Natália vivia doente. Desde que entrou na escola com 1 ano e 4 meses, sempre ficava resfriada, com dor de ouvido, dor de garganta... Até que Regiane descobriu que a filha tinha problemas de imunidade.
Natália agora com 5 anos, fez um tratamento com imunoglobulina e não fica mais tão frágil. Hoje a mãe até entende se vê crianças tossindo na escola. “Eu tenho a liberdade de buscar minha filha porque sou autônoma. Outros pais não podem”, diz ela. Nesse caso, LIGAR PARA ALGUM PARENTE QUE POSSA BUSCAR A CRIANLA É SEMPRE MELHOR DO QUE DEIXA-LÁ. QUEM TEM FILHO NÃO PODE CONTAR COM A ESCOLA COMO ÚNICA ALTERNATIVA. TEM DE TER SEMPRE UM PLANO B NA MÃO: AVÓ, TIA, EMPREGADA...
O pediatra infectologista Eitan Berezin lembra que doenças comuns podem ser transmitidas pela mão. A conjuntivite só é contagiosa enquanto o olho tiver secreção. Já a gripe é contagiosa no estágio febril, nos primeiros três a sete dias. Mas nem tudo que parece gripe é gripe. Há várias viroses com sintomas parecidos, mas a forma de contágio é a mesma: gotículas de saliva ou espirro. Ensine seu filho a lavar as mãos sempre. E, se o termômetro acusar ou a carinha estiver abatida, leve-o ao pediatra, não à escola.
Fonte: Revista Pais & filhos, Novembro, 2007.