“Eu deveria dedicar mais tempo, porém isso para mim é muito difícil”, “Não os estou mandando à escola que gostaria, porém não posso pagar outra”, “Eu teria que ser mais firme com o que come, porém não posso” ... Frases como essas e muitas outras podem ser ouvidas em conversas de amigos e amigas em relação à educação de seus filhos.
Pais e mães falam de “como gostariam que fosse” e “como é” o modo que educam seus filhos. Essa distância entre o “que gostariam” e o “como é” resulta na sensação de sentir-se “em falta”.
Em algum aspecto de nossa vida somos o que queremos ser, ou nos aproximamos mais de uma “média” entre esse desejo e nossas possibilidades? Não, se chegássemos a cumprir estes desejos, ficaríamos sem objetivos, sem metas, e nossa vida seria muito triste.
De onde tiramos esse modelo que configura o que deveríamos ser? Em muitos casos, da representação que temos de nossos pais ou de outros adultos que conhecemos. Porém em que mundo viviam eles? Há 30 anos poucas mulheres trabalhavam ou estudavam, a jornada de trabalho era mais curta, a violência e o risco das cidades eram menores. Esses pais tinham mais tempo para estar com seus filhos, viviam em sociedades mais harmônicas e com menos mudanças. Era um mundo muito diferente, nem melhor, nem pior...diferente.
É muito bom que mais mulheres cheguem à universidade ou ao mercado de trabalho, que os casais se unam por amor e não por compromisso como era há algumas décadas, que as crianças sejam mais ouvidas em suas casas. Porém todos estes avanços têm custos, apresentam dificuldades, se a referência são os nossos pais.
Qual é o problema desta tensão entre os pais que queremos ser e os que somos? É que acabamos por nos tornar pais superficiais, pouco convincentes, cheio de dúvidas, medrosos e pouco claros. E para as crianças é muito difícil crescer com pais que trocam, duvidam, se confundem, pois estas inseguranças deixam-nas com poucas referências concretas.
As crianças amam seus pais, e essa relação é incondicional, não depende de avaliações. O problema é quando seus pais não conseguem ser uma referência, uma autoridade ou um guia.
Nossos pais não estavam seguros cientificamente de que, quem estudava, teria um futuro melhor, nem que o modo de nos educar seria a garantia de êxito na vida adulta. Porém nos passavam outra convicção, a aposta por um conjunto de valores nos quais acreditavam.
Somos os pais que somos, os melhores que nossos filhos possuem, os únicos.
O principal é que estejamos convencidos de que somos o melhor que podemos ser.
Assim poderemos ser uma referência clara, pela qual lutar, admirar e , fundamentalmente, a partir de onde crescer
Revista Educação Infatil Jan/Fev - 2010